Em Blumenau, especialista fala sobre controle e impactos do Covid-19




Na segunda-feria, 18, a Acib promoveu uma reunião online de diretoria aberta aos associados, com a participação do médico Márcio Sommer Bittencourt, de São Paulo. Ele é mestre em Saúde Pública pela Universidade de Harvard (EUA) e professor da Faculdade de Ciências da Saúde Albert Einstein. O especialista falou sobre “Pandemia de Covid-19: epidemiologia, controle de surto e impacto econômico”. 

 

O médico apresentou diversas pesquisas e dados científicos que mostram diferentes possibilidades para a curva do Covid no mundo e falou sobre os impactos da doença. Segundo ele, quanto mais cedo forem tomadas as medidas de prevenção, melhor será para a economia. “Não é fechar que para as coisas, é a doença que para as coisas”, apontou. Ele acredita que o que vai definir a evolução em termos econômicos está ligado a como os países agem em relação à saúde pública. 

 

Bittencourt assinalou que achatar a curva não se trata apenas de preparar os hospitais. “Quanto mais cedo as medidas de isolamento, melhor. Porém, quando paramos de nos distanciar, pode haver um recrudescimento da doença, que dependo do que se para ou o que se faz pode ser pequeno ou grande. O distanciamento não só atrasa, mas diminui mortes, internações e custos em todos os aspectos de saúde”, afirmou. Ou seja, o médico defende que “mais medidas, mais cedo e mais intensas vai significar a morte de menos pessoas, além de atrasar o pico”.  

 

Segundo o especialista, as medidas estão sendo tomadas não só par atrasar o pico, mas também com o intuito de reduzir o número total de infectados e de mortes. Ele explicou as quatro principais medidas:

 

– Distanciamento físico: quando as pessoas saudáveis ficam distantes umas das outras. Fechar escolas e locais de trabalho, cancelar eventos de grande porte, restrições de viagens, redução de contato físico. 

 

– Medidas de bloqueio de transmissão: lavar as mãos e usar máscaras. Devemos fazer o tempo todo até o surto terminar. Etiqueta da tosse, evitar tocar olhos e rosto, limpar e desinfectar superfícies.

 

– Isolamento: é o que fazemos quando a pessoa tem suspeita de caso. Quem tem suspeita ou Covid confirmado tem que ser isolado individualmente para que não transmita para outras pessoas, principalmente para a própria família. Se não tirarmos os casos de circulação, isso não acaba. 

 

–  Quarentena: é o nome que usamos para pessoas que entraram em contato com a doença e não sabemos se ela está infectada. Segundo Bittencourt, esse é um ponto falho no Brasil.

 

“O controle do surto  tem esses quatro pés, mas nenhum está dentro do hospital. A estrutura do hospital é útil para tratar os casos graves, mas essas estratégias que vão determinar a contaminação. O mais importante é tirar os casos de circulação. Também é de extrema importância proteger os profissionais de saúde, caso contrário vão faltar médicos, enfermeiros e técnicos”, observou.

 

Márcio Bittencourt ainda explicou que, no Brasil, estamos em ascensão na curva de casos graves e de mortes. A letalidade está em quase 7%. “Estamos testando 7 vezes menos do que deveríamos”, disse. A macrorregião de Blumenau tem menos óbitos e menos casos, o que significa que está mais suscetível. “Acreditar que nada vai acontecer é uma estratégia de risco”, ponderou.

 

Sobre as perspectivas da doença, Bittencourt explicou que um grupo de pesquisadores acha que depois dessa primeira onda podem haver outras ondas de tamanho parecido. A opção potencialmente mais provável para os EUA, por exemplo, é ter uma segunda onda ainda pior do que a primeira, e depois outras menores. “No Brasil, estamos pegando o primeiro pico junto com o surto de Influenza, que é no inverno, então talvez o cenário seja um pouco diferente”, afirmou. 

 

Outra perspectiva seria de teremos uma onda principal agora e outras menores depois.O médico citou o exemplo da Alemanha, que foi precoce em reconhecer a segunda onda e, com planejamento, conseguiu controlá-la. Ajustou medidas, manteve abertura mais lenta e continuou acompanhando fortemente, mas não fechou. 

 

Ele também citou o impacto psicológico da doença. “Alem do Covid em si, o impacto de ficar isolado, de não poder usar transporte, não trabalhar, vai se desdobrando em várias vias psicológicas, como, pode exemplo: aumento do consumo e drogas, problemas associados a obesidade, aumento de violência e abusos, problemas econômicos, entre outros”. 

 

Entre as sugestões deixadas pelo especialista, estão:

  • Proteger o capital humano nas empresas, cuidar dos funcionários, preparar as condições para voltarem ao trabalho;
  • Preservar a cadeia de consumidor e fornecedor, em como ajudar os outros lados, dar apoio para quem tem lastro se você tiver;
  • Proteger o caixa e capital de giro;
  • Pensar na imagem e reputação da empresa;
  • Repensar o modelo de negócios.

 

“Após o surto, não vai necessariamente voltar tudo ao normal. Vamos começar a viver, mas com controle de aeroportos, hotéis de quarentena, checagem de temperatura na rua e no trabalho, medidas de distanciamento, abertura escalonada, redução de clientes em ambientes fechados, higienização e voltando a ter coisas mais ao ar livre”, prevê. 

 

Para assistir ao vídeo com a palestra completa, clique aqui. https://youtu.be/g0rAroWoNns